Ambiência. Criar o espaço para o improviso. Construção de Repertório. Escutar. Você. O ambiente. O outro. Pausas. Silêncios. Buscar momentos de uníssono na ação. Bem simples. Bem claro. Quando lanço uma idéia, espero observando e dialogando. Aguardo a chegada da imagem que este estímulo causou. Pedra no rio... Efeitos que reverberam no todo. Estou verdadeiro? Inteiro? Estou liderando? Estou a deriva? Minha colaboração na composição acontece? Tenho percepção das minhas estratégias? Fujo de minha tendência cênica?
Enquanto faço, enxergo e completo o jogo? Como se dão minhas conexões? Quando vou pra cena, do quê esqueço? Onde guardo minhas memórias? Como as aciono? Memória? Memória lembra histórias. Nas vísceras posso guardá-las. Na coluna vertebral meu pilar, minha estrutura, minha negociação com a gravidade.
Minha casa maior. Toco. Você cai. Rolo de gente latente. Orgãos em líquido quente. Preciso sair do chão. Não me deixam. Não me deixo. Em um grupo dois, em outro três, seis, sem ninguém. Distração. Ação Pressão. Impressão pessoal. Conjugação de idéias. Não banalizar, acreditar que pra toda proposta haverá uma saída. Várias saídas. A Porta.
Sair para a cena. Sair de cena. São sempre saídas. Nunca entramos e não nos aprontamos pra nada. Saímos... A sabedoria é deixar abrir o mundo diante de seus sentidos. Cartas de frente. Opções de frente. Escolhas com coragem. Para improvisar é preciso fé. Ilhas de fé. Solos. Saio do meu ponto, provoco o outro a ceder. Escambo de ilhas. Sou responsável por convocar minhas memórias a funcionarem.Improvisar é trabalho.Improvisar dá um trabalho danado.Enquanto sendo, faço escolhas e no presente estando, reconheço a estratégia.Compor com textos. Palavras. Criar camadas. Texturas. Diálogos que proporcionam ao observador-público também fazer escolhas, selecionar e compor como desejar. Devemos sair. Deixar o espaço, um solo, um trio, um quinteto acontecer. Sempre que sair, misturar-se ao público. Sou agora suporte e observador ativo, pronto a compor. Quando a imagem surgir como mágica e sentirmos verdade, devemos seguir, mesmo que no segundo seguinte essa escolha possa sumir. E outra.... e outra... e outras sublimes virão. “Improvisar é construir pontes.”
Daniela Guimarães
Salvador, 21/12/2007
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