Em “Grande Sertão: veredas”, um dos mais importantes romances da língua portuguesa, o mineiro João Guimarães Rosa traduz, tenaz, tramas de infinitas veredas que transbordam, plenas de ser, de secas vidas dos nossos sertões. Poemas de vida.E à semelhança do sertão de equivocadas impressões de aridez também de desvida, signo de algo que já não está entre nós. É do esqueleto e de tudo que podem os ossos em seus sistemas de proteção, sustentação, conformação, armazenamento, alavanca, deslocamento e vitalidade o pretexto de onde a Cia Ormeo Teatro-Dança, dirigida por Daniela Guimarães, improvisa textos de João Guimarães Rosa em “Pedaços de Rosa”.
Ossos contemporâneos. Corpos sabedores da liberdade contida nos limites e nas regras. Personagens arrebatados do gesto espontâneo e que existem antes de serem lugares, acontecimentos, sentimentos, seres, coisas, intuição intensa do presente no tempo e no espaço presentes. Estar fluxo, estar repouso. Identidades, histórias e memórias das mais frouxas e das mais tensas sensações.
Corpo, Sertão e ossos. Qualquer vereda, todos os encontros. Palavras e movimentos nos travessias e bordas dos ossos de ofício dançar.
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